O Brasil vive um processo de urbanização intenso e desigual. Segundo dados do IBGE, mais de 85% da população brasileira reside em áreas urbanas, o que representa cerca de 180 milhões de pessoas. Esse movimento, iniciado com força a partir da década de 1970, trouxe dinamismo econômico, mas também expôs fragilidades estruturais.
O déficit habitacional é um dos maiores problemas. Estimativas da Fundação João Pinheiro apontam que em 2023 havia mais de 5,8 milhões de moradias em falta, concentradas principalmente nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Esse quadro se reflete na expansão das favelas e ocupações irregulares: só na capital paulista, mais de 1,5 milhão de pessoas vivem em assentamentos precários.
A mobilidade urbana é outro desafio. O tempo médio gasto em deslocamentos diários nas grandes cidades ultrapassa 1h30, segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos. A frota de veículos cresceu 52% entre 2010 e 2020, intensificando congestionamentos e poluição.
Os impactos ambientais também são significativos. A ocupação de áreas de risco, como encostas e margens de rios, aumenta a vulnerabilidade a enchentes e deslizamentos. Em 2022, o Brasil registrou mais de 1.700 mortes relacionadas a desastres naturais, segundo a Defesa Civil Nacional.
A desigualdade socioespacial é visível: enquanto bairros centrais concentram infraestrutura e serviços, periferias sofrem com falta de saneamento. O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento indica que 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada e 100 milhões vivem sem coleta de esgoto adequada.
Especialistas defendem políticas públicas integradas para enfrentar o cenário. Entre as propostas estão a descentralização econômica, com estímulo a cidades médias, investimentos em transporte coletivo sustentável e programas habitacionais de maior alcance. Sem planejamento urbano consistente, o crescimento populacional continuará a pressionar os limites das metrópoles brasileiras.
Fontes: IBGE, Fundação João Pinheiro, Associação Nacional de Transportes Públicos, Defesa Civil Nacional, Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.