O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou a chamada Caminhada pela Liberdade, que deve percorrer mais de 200 quilômetros entre Paracatu (MG) e Brasília (DF). A previsão é de chegada no próximo domingo (25), quando está marcada uma manifestação na capital federal. “Estamos caminhando em defesa da liberdade e da democracia”, declarou o parlamentar.
A iniciativa recebeu apoio de aliados, como os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE), além de outros políticos que se somaram à mobilização. “É um movimento que mostra união e força política”, disse Gayer, ao justificar sua participação.
A ação, no entanto, foi comparada às marchas históricas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por parlamentares da oposição. Entre 1997 e 2018, o MST organizou quatro grandes marchas nacionais, que marcaram a luta pela reforma agrária e pela democracia. “Nikolas tenta imitar atos que tiveram caráter popular e reivindicatório”, afirmou um deputado do PT.
Em 1997, por exemplo, a Marcha Nacional por Emprego, Justiça e Reforma Agrária reuniu cerca de 100 mil pessoas em Brasília, um ano após o Massacre de Eldorado dos Carajás. Já em 1999, a Marcha Popular pelo Brasil percorreu mais de 1.600 quilômetros como resposta às políticas neoliberais do governo Fernando Henrique Cardoso. “Foram mobilizações que denunciaram desigualdades e exigiram mudanças”, relembra o MST.
Durante o governo Lula, em 2005, cerca de 12 mil trabalhadores marcharam até Brasília para cobrar o cumprimento do Plano Nacional de Reforma Agrária. A última grande mobilização ocorreu em 2018, quando 5 mil camponeses participaram da Marcha Nacional Lula Livre, em defesa da candidatura do ex-presidente e da retomada da democracia. “Foi um ato histórico no TSE”, destacou o movimento.
A comparação entre a caminhada de Nikolas e as marchas do MST evidencia a disputa simbólica em torno das mobilizações de rua. Enquanto apoiadores do deputado afirmam que o ato representa resistência política, críticos apontam que se trata de uma tentativa de reproduzir manifestações que tiveram origem em pautas sociais e populares. “São contextos diferentes, mas a intenção é clara: buscar legitimidade pela força das ruas”, concluiu o parlamentar petista. (Com informações do portal Metrópoles)