A determinação do Governo Federal de que novos edifícios cumpram normas para reduzir a sensação térmica a partir de 2027 é vista como um avanço para a modernização da construção civil. A medida, segundo especialistas, deve estimular inovação, novas tecnologias e maior eficiência operacional. Para Cássio Pissetti, diretor comercial da Engepoli, os chamados “prédios verdes” trazem benefícios que vão além do meio ambiente, promovendo conforto, saúde e economia.
Estudos apontam que a construção civil consome cerca de 50% dos recursos naturais no mundo e responde por mais da metade dos resíduos sólidos urbanos no Brasil. Nesse contexto, a regulamentação pode gerar ganhos ambientais e econômicos. Pesquisa da Universidade de Harvard mostra que edifícios certificados geraram US$ 6 bilhões em benefícios para saúde e clima em 16 anos, segundo o Green Building Council Brasil.
Outro ponto destacado é o impacto competitivo. A etiquetagem de eficiência energética permite que empresas demonstrem preocupação com o uso racional de energia, o que pode se tornar diferencial de mercado. Para Pissetti, a regulamentação vai na direção correta ao alinhar sustentabilidade e desempenho econômico.
Entre os desafios, especialistas citam o aumento dos custos de construção e a necessidade de adaptação da cadeia produtiva, incluindo projetistas, construtoras e fornecedores. O sucesso da implementação dependerá também da capacidade dos órgãos fiscalizadores em acompanhar as novas exigências.
Segundo Pissetti, haverá sinergia com soluções construtivas mais eficientes e sustentáveis. O desenvolvimento e a inovação dos produtos serão fatores decisivos para diferenciar empreendimentos, mesmo que impactem o custo final.
As mudanças foram anunciadas em setembro de 2025 pelo Comitê Gestor de Índices e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), ligado ao Ministério de Minas e Energia. A resolução estabelece índices mínimos de eficiência em novas edificações, com foco em conforto térmico, iluminação natural e redução dos gastos com energia elétrica, aproximando o Brasil dos padrões internacionais.