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Redes varejistas retomam aposta nas ruas
Após anos de foco em shoppings e e-commerce, grandes marcas voltam a investir em lojas de rua com novos formatos e estratégias
Publicado em 17/02/2026 10:10 • Atualizado 17/02/2026 10:11
Varejo
Reprodução/Internet

Por Marco Ribeiro

Nos últimos meses, o varejo brasileiro tem assistido a um movimento de retorno das grandes redes às lojas de rua. Depois de décadas em que os shopping centers dominaram a expansão das marcas, fatores como custos elevados, mudanças no comportamento do consumidor e a busca por maior proximidade com o público têm impulsionado essa reconfiguração.  

A pandemia acelerou a digitalização do comércio, mas também reforçou a importância da experiência física. Consumidores passaram a valorizar mais o contato humano, a conveniência de lojas próximas e a possibilidade de vivenciar produtos antes da compra. Esse cenário abriu espaço para que as ruas comerciais voltassem a ser estratégicas para o varejo.  

As novas lojas não repetem o modelo tradicional. Em vez de grandes espaços, surgem pontos menores, integrados ao digital, que funcionam como hubs de experiência e também como locais de retirada de compras feitas online. Provadores inteligentes, realidade aumentada e design mais aberto são algumas das novidades que marcam essa fase.  

No que diz respeito aos produtos, itens ligados à moda, calçados, cosméticos e alimentos frescos tendem a permanecer fortes no ambiente físico, onde a experimentação é decisiva. Já eletrônicos, livros, móveis e produtos de nicho continuam a crescer no comércio online, impulsionados pela comparação de preços e pela conveniência da entrega. 

Entre as empresas que já seguem essa tendência estão redes como Hering, Lupo, O Boticário e Óticas Carol, além de marcas globais como Nike e Bauducco. Todas têm apostado em lojas de rua para reforçar presença e ampliar o relacionamento com clientes em diferentes bairros e cidades.  

Os pequenos e microempreendedores também acompanham esse movimento. Para eles, abrir em ruas movimentadas é muitas vezes mais viável do que em shoppings, além de permitir maior fidelização da clientela local. O comércio de proximidade, nesse sentido, ganha força como alternativa sustentável e competitiva.  

Embora o e-commerce siga em expansão, vender da forma tradicional ainda oferece vantagens. O contato humano, a experiência sensorial e o aspecto social da ida às lojas continuam sendo diferenciais que o digital não substitui. O futuro do varejo, portanto, não está em escolher entre físico ou online, mas em combinar os dois de forma inteligente e complementar.  

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